Blog
NR-35 na indústria: os 7 erros mais comuns em trabalhos em altura e como evitar acidentes
Trabalhos em altura fazem parte da rotina de muitas indústrias: manutenção em telhados, acesso a plataformas, inspeções em estruturas, intervenções em silos, tubulações, torres, passarelas, máquinas elevadas e áreas de difícil acesso.
Mas justamente por serem atividades frequentes, muitas empresas acabam tratando o risco como “normal”. E esse é um dos maiores problemas.
A NR-35 estabelece os requisitos mínimos e as medidas de prevenção para o trabalho em altura, envolvendo o planejamento, a organização e a execução das atividades, com o objetivo de proteger trabalhadores direta ou indiretamente envolvidos nessas operações.
Na prática, isso significa que subir para “resolver rapidinho” não pode ser uma cultura dentro da indústria. Trabalho em altura exige análise, procedimento, equipamento adequado, equipe capacitada e plano de emergência.
Neste artigo, você vai conhecer 7 erros comuns em trabalhos em altura dentro das indústrias — e como evitá-los antes que virem acidentes, autuações ou paradas operacionais.
O que é considerado trabalho em altura?
De forma objetiva, considera-se trabalho em altura toda atividade executada com diferença de nível superior a 2 metros, onde exista risco de queda. Essa definição é a base da NR-35 e orienta quando a empresa precisa aplicar medidas específicas de controle e prevenção.
Na indústria, isso pode incluir atividades como:
- manutenção em telhados;
- inspeção em estruturas metálicas;
- acesso a plataformas elevadas;
- intervenções em silos e tanques;
- manutenção em tubulações aéreas;
- uso de escadas, andaimes e plataformas;
- trabalhos em torres, passarelas e áreas técnicas elevadas.
O ponto principal é: não é apenas a altura que importa, mas o risco de queda.
Por que a NR-35 é tão importante para indústrias?
No ambiente industrial, uma queda de altura pode gerar consequências graves para o trabalhador e para a operação. Além do risco humano, a empresa pode enfrentar:
- paralisação da atividade;
- investigação interna;
- afastamentos;
- custos trabalhistas e operacionais;
- interdição de áreas;
- autuações;
- impacto na produtividade e na reputação.
A NR-35 ajuda a transformar o trabalho em altura em uma atividade planejada, com critérios claros para autorização, execução e resposta a emergências.
Em outras palavras: a norma não existe para dificultar a rotina da indústria, mas para impedir que uma tarefa comum se transforme em um acidente grave.
7 erros comuns em trabalhos em altura dentro das indústrias
1. Começar a atividade sem análise de risco
Um dos erros mais frequentes é iniciar o trabalho com base apenas na experiência da equipe.
Frases como “é rápido”, “a gente sempre fez assim” ou “não precisa montar tudo isso” são sinais claros de alerta.
Antes de qualquer atividade em altura, é necessário avaliar:
- local de acesso;
- condição da superfície;
- risco de queda;
- interferências elétricas;
- clima;
- movimentação de máquinas;
- necessidade de isolamento da área;
- pontos de ancoragem;
- equipamentos de proteção;
- possibilidade de queda de ferramentas ou materiais.
A NR-35 valoriza a antecipação dos riscos e o uso de instrumentos como análise de risco e permissão de trabalho, conforme a situação da atividade.
Como evitar:
Crie um procedimento simples e obrigatório: nenhuma atividade em altura começa sem avaliação prévia das condições e liberação formal quando necessário.
2. Usar escada como “solução universal”
Escadas são comuns na indústria, mas não devem ser tratadas como solução para tudo.
Elas costumam ser usadas para:
- manutenção rápida;
- troca de lâmpadas;
- acesso a estruturas;
- pequenos ajustes;
- inspeções visuais.
O problema é quando a escada é usada sem avaliação adequada, em piso irregular, sem apoio correto, perto de máquinas em movimento, próximo a painéis elétricos ou para atividades que exigem força, alcance lateral ou permanência prolongada.
Sinais de risco:
- trabalhador esticando o corpo para alcançar;
- escada apoiada em estrutura improvisada;
- piso escorregadio ou desnivelado;
- falta de isolamento da área;
- trabalho com as duas mãos ocupadas;
- circulação de empilhadeiras ou máquinas próximas.
Como evitar:
Antes de liberar o uso da escada, avalie se ela realmente é o meio mais seguro. Em muitos casos, plataforma, andaime ou outro sistema de acesso pode ser mais adequado.
3. Não verificar pontos de ancoragem
Outro erro comum é prender o talabarte ou sistema de proteção em qualquer estrutura “que parece firme”.
Na indústria, nem toda viga, tubulação, guarda-corpo, corrimão ou estrutura metálica foi projetada para servir como ponto de ancoragem.
Esse erro pode ser grave porque, em caso de queda, o sistema precisa suportar esforços elevados. Se o ponto falhar, todo o conjunto perde sua função.
Como evitar:
Mapeie e identifique pontos de ancoragem adequados. Quando necessário, conte com avaliação técnica para garantir que os pontos utilizados estejam compatíveis com o sistema de proteção contra quedas.
4. Equipamento de proteção sem inspeção antes do uso
Cinto de segurança, talabarte, trava-quedas, conectores, linhas de vida e capacetes com jugular precisam estar em boas condições.
Um erro comum é a equipe usar o equipamento sem verificar:
- costuras;
- mosquetões;
- deformações;
- oxidação;
- desgaste;
- etiquetas de identificação;
- validade;
- sinais de impacto;
- funcionamento dos travamentos.
Equipamento danificado pode até “parecer seguro”, mas falhar no momento mais crítico.
Como evitar:
Implante inspeção antes do uso e inspeções periódicas registradas. O trabalhador precisa saber identificar sinais de reprovação e retirar o equipamento de uso sempre que houver dúvida.
5. Falta de isolamento da área abaixo
Muitas empresas focam apenas em quem está em altura e esquecem quem está embaixo.
Durante uma atividade elevada, existe risco de queda de:
- ferramentas;
- peças;
- parafusos;
- materiais;
- resíduos;
- partes removidas;
- equipamentos.
Em áreas industriais, isso se agrava pela circulação de operadores, empilhadeiras, manutenção, terceiros e equipes de produção.
Como evitar:
Isole e sinalize a área inferior antes do início da atividade. O controle deve impedir circulação indevida e proteger trabalhadores que não participam da tarefa.
6. Trabalhador capacitado, mas sem autorização ou controle
Treinamento é essencial, mas não basta sozinho.
A empresa precisa garantir que o trabalhador esteja apto, capacitado e autorizado para executar aquela atividade. A NR-35 trata da capacitação para trabalho em altura e estabelece que o trabalhador capacitado deve passar por processo de capacitação com treinamento teórico e prático, inicial, periódico e eventual, conforme critérios da norma e da NR-1.
Na prática, o problema aparece quando:
- o treinamento está vencido;
- não há registro organizado;
- o trabalhador foi treinado, mas não conhece o procedimento da empresa;
- terceiros entram sem integração adequada;
- liderança não sabe quem está autorizado.
Como evitar:
Mantenha controle atualizado de capacitação, autorização e integração. Antes da atividade, confirme se todos os envolvidos estão liberados para aquele tipo de trabalho.
7. Não ter plano de emergência e resgate
Esse talvez seja um dos pontos mais negligenciados.
Muitas empresas pensam apenas em evitar a queda, mas não planejam o que fazer se algo acontecer.
Em trabalho em altura, uma emergência exige resposta rápida. Um trabalhador suspenso pelo cinto, por exemplo, não pode ficar aguardando uma solução improvisada.
O plano deve responder:
- quem aciona a emergência;
- quem realiza o resgate;
- quais equipamentos serão usados;
- como acessar o trabalhador;
- como retirar a pessoa com segurança;
- como a área será isolada;
- qual comunicação será feita;
- qual suporte médico será acionado.
Como evitar:
Tenha um plano de resgate compatível com o tipo de atividade e treine a equipe. Resgate em altura não pode depender apenas de improviso ou da chegada de ajuda externa.
Checklist rápido para trabalho em altura na indústria
Antes de iniciar uma atividade em altura, avalie:
- A atividade foi planejada?
- Existe análise de risco?
- A equipe está capacitada e autorizada?
- O acesso é adequado?
- Os pontos de ancoragem foram verificados?
- Os EPIs e EPCs foram inspecionados?
- A área inferior está isolada?
- Existe risco elétrico próximo?
- As condições climáticas permitem o trabalho?
- Há plano de emergência e resgate?
Se alguma resposta for “não”, a atividade deve ser reavaliada antes de começar.
Como organizar a NR-35 sem travar a produção
Muitas indústrias adiam melhorias em NR-35 por medo de “burocratizar” a operação. Mas o caminho mais eficiente é justamente o contrário: criar padrões simples para evitar decisões improvisadas.
Um bom plano pode começar com:
1. Mapeamento das atividades em altura
Liste onde ocorrem trabalhos em altura na planta:
- telhados;
- plataformas;
- passarelas;
- silos;
- tanques;
- torres;
- estruturas metálicas;
- áreas de manutenção;
- tubulações elevadas.
2. Classificação por risco e frequência
Priorize atividades mais críticas:
- alto risco;
- execução frequente;
- envolvimento de terceiros;
- proximidade de rede elétrica;
- necessidade de resgate complexo.
3. Padronização de procedimentos
Crie instruções simples para cada tipo de atividade:
- acesso por escada;
- trabalho em telhado;
- uso de plataforma;
- manutenção em estrutura metálica;
- atividade com linha de vida;
- trabalho com isolamento da área inferior.
4. Controle de equipamentos
Organize inspeção, armazenamento e rastreabilidade de:
- cintos;
- talabartes;
- trava-quedas;
- conectores;
- linhas de vida;
- capacetes;
- escadas;
- andaimes;
- plataformas.
5. Treinamento e reciclagem
Treinamento precisa se conectar com a realidade da planta. O trabalhador deve conhecer os riscos do local onde atua, não apenas a teoria da norma.
6. Auditoria de campo
Auditorias rápidas ajudam a identificar desvios antes que eles virem acidentes:
- EPI usado corretamente?
- ancoragem adequada?
- área isolada?
- documentação liberada?
- equipe autorizada?
- plano de resgate disponível?
A NR-35 é uma das normas mais importantes para a rotina industrial porque trata de um risco que está presente em diversas atividades: a queda de altura.
E o maior problema não está apenas nas grandes obras ou serviços complexos. Muitas vezes, o risco está nas tarefas simples, repetidas e tratadas como “rapidinhas”.
Quando a empresa organiza análise de risco, capacitação, autorização, equipamentos, ancoragem, isolamento e resgate, o trabalho em altura deixa de depender da sorte e passa a fazer parte de uma cultura real de prevenção.
Segurança em altura não é excesso de cuidado. É planejamento, responsabilidade e proteção da vida.
Se a sua indústria realiza atividades em telhados, plataformas, silos, tanques, estruturas metálicas, passarelas ou qualquer área com risco de queda, vale revisar se os trabalhos em altura estão realmente controlados conforme a NR-35.
A Piauí Eletro Safety pode apoiar com consultoria, treinamentos, procedimentos, inspeções e adequações para que sua empresa execute trabalhos em altura com mais segurança, conformidade e previsibilidade operacional.